sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O peixe roubado



olho para o súbito
cinzas nuvem sobre a música
ouvidos mudam ao vento
é você chamando
mas eu ainda não posso responder

rio com o tempo
afeto de escultura e mestre
a vida queima em pé como uma vela
bebe o café do silêncio sobre a ponte
mirando lugares sem açúcar

a gente é capaz da faca na beleza,
do silêncio na dor

escrevi três bilhetes hoje
três bilhetes hoje rasguei

“A sabedoria de desistir
É tudo o que nos
Restou.” (Charles Bukowski)

11072015 & 21082015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

terça-feira, 31 de março de 2015

Orquestra vazia

a solidão ancora na planície lenta da segunda-feira
março se despede sem bilhetes

acordo do dilúvio das dúvidas no tumulto das faces
confundo chover com chorar

sigo nua diante do roubo dos sonhos
escondo o osso da vida na esquina

suspiro na inscrição da rocha machadiana
sento no tapete mineiro de lembranças

                você é um escorpião que carrego no corpo
                                    na tarde que emudece crepúsculos
                                    no meu coração de tambor telegráfico


14022014 & 30032015

sábado, 1 de novembro de 2014

Olhar em detalhes



Lido nalgum lugar:
“já é tão tarde
que é amanhã pra qualquer coisa”

ele é uma tatuagem na pele das nuvens
neste ensaio quase invisível que é viver

levantam brumas entre bambus e pínus
vejo mãos indisfarçáveis, fumaça e flores

como estancar sua imagem?
o amarelo do ipê vira a esquina
e no meu relógio são sempre suas horas

a língua ainda lambe o seu pergaminho
improvisando um alfabeto pr'agora

a boca silencia mais um drink
evitando a porta da manhã

         o pássaro da dor é o único que não se abala no galho



18092014 & 01112014

domingo, 13 de julho de 2014

Alemanha e Argentina na POESIA


ALEMANHA
PARQUE MONCEAU (Kurt Tucholski)



Aquí se está bien. Puedo soñar tranquilo.
Aquí soy un hombre… y no sólo un paisano.
Aquí puedo ir por la izquierda. Bajo el verde tilo
no hay carteles: está prohibido.
Una pelota grande está en el césped.
Un pájaro picotea una hoja tierna.
Un niño pequeño se mete el dedo en la nariz
y se alegra si encuentra algo.
Cuatro americanas comprueban
si Cook tenía razón y aquí hay árboles.
París por fuera y París por dentro:
no ven nada y deben verlo todo.
Los niños alborotan por las piedras de colores.
El sol luce y resplandece sobre una casa.
Estoy sentado en silencio y dejo que me acaricie
y descanso de mi patria.



(tradutor não localizado)




***




ARGENTINA
NO (Susana Thénon)



Me niego a ser poseída
por palabras, por jaulas,
por geometrías abyectas.
Me niego a ser
encasillada,
rota,
absorbida.
Sólo yo sé como destruirme,
cómo golpear mi cabeza
contra la cabeza del cielo,
cómo cortar mis manos y sentirlas de noche
creciéndome hacia adentro.
Me niego a recibir esta muerte,
este dolor,
estos planes tramados, inconmovibles.
Sólo yo conozco el dolor
que lleva mi nombre
y sólo yo conozco la casa de mi muerte.

Brasil e Holanda na POESIA


BRASIL
Consolo na praia (Carlos Drummond de Andrade)


Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.





O poema ilustrado pode ser visto aqui: https://www.facebook.com/caminhaodemudanca/media_set?set=a.279944812064555.66585.100001471158514&type=3


***



HOLANDA
HOMENAJE A GERARD DIELS (Riekus Waskowsky)


Un poeta borracho abraza la luna en
el agua - hasta que llega la muerte,
la muerte de la luna en el agua.

El poeta sigue vivo y después de miles
de años sólo parece haber cambiado el gusto.

Quiero decir: Li Tai Po bebía vino, Dylan
Thomas whisky, Gerard Diels ginebra.



Tradução: Ricardo Cuadros

Holanda e Argentina na POESIA


HOLANDA
A uma árvore no Vondelpark (M. Vasalis)


Uma árvore de longas tranças verdes foi derribada.
Suspirou como uma criança, numa murmuração,
enquanto caía, cheia ainda de ventos do verão.
Eu vi a carreta em que era puxada.

Oh, como Heitor no carro da vitória, um jovem moço,
cabelos arrastando e um perfume de juventude
que de belas feridas lhe escorria,
a jovem cabeça ainda sadia,
o tronco indomado ainda, garboso.

Tradução de Fernando Venâncio



***



ARGENTINA
Imagen de perfil (Leda Valladares)



Si me recuerdo en el espacio me siento fotografía.
Todo el rostro oyendo, consumidor de velocidades secretas.
La mirada, llegando de lejos, se estanca y centellea.
La mano izquierda, con un temblor de conciencia, se deja estar al borde de una mesa.


Es una foto a luz de kerosén.
La línea de mi cuerpo sentado vacila entre el miedo y el embeleso.


Allí estoy eternizada.
Durando como un roce de mirada, como el rescoldo de las horas.


Todo tiene una oscilación de alma en silla,
de presagio acorralado,
de un destino en su nada con un pulso a borbotones.


Soy una postal de la vida.

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