domingo, 25 de agosto de 2013

Dente a dente, a palavra roça a pedra



a lua se esfarela sob os olhos de saturno
deitando noite no ruído dos corpos
inscrevendo estrelas irreversíveis na ponta dos sonhos

a noite percute luzes nos vãos da pele
arrastando lábios recém-encontrados
e os dentes abrem véus nos sóis dos seios

a língua inscreve o sagrado pelas paredes
palavras de dente de um deus suicida
num diálogo de interrupções temporárias


Em parceria com Diogo Cardoso (http://rascunhoamaquina.blogspot.com.br/)


(30042013 & 23082013)

sábado, 3 de agosto de 2013

Tradução: Partidas



Partidas
 
los barcos parten a las cuatro
y estamos  
amor, en la margen  
del cuarto  
arrojando piedras  
en el espejo de agua  
para alterar nuestro reflejo  
para impedir que los ojos y la hiedra  
se apoderen  
de nuestro retrato  
y no dejar que jueguen  
el juego de los siete errores.  
Sin comparaciones
somos perfectos

 
(Tradução: Samuel López Suárez)


Partidas

os barcos partem às quatro
e nós ficamos
amor na margem
no quarto
atirando pedras
no espelho d'água
pra turvar nosso reflexo
pra impedir os olhos e a hera
de se apossarem
do nosso retrato
e não deixar que brinquem
o jogo dos 7 erros
sem comparações
somos perfeitos

Poema de Jeanine Will

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Rotinas


reviso o céu na poça d'água
as bordas de prédio fazem cócega na leveza das pombas
a multidão esbarra no intuito dos jardins
o vestido esvoaça na praça dos pensamentos mas desiste

um sonho enviesado cruza a semana
cruzamento da primeira avenida com tua secreta lágrima
o inesperado invade os silêncios sem paradas de emergência
quem parou no centro da cidade?

giro sobre os calcanhares da espera
um poste me consola
e uma sombra derruba sobre mim suas intermitências.





Em parceria com Paulo Ortiz
(http://adiferencadofogo.blogspot.com.br/)




(09072013)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

TRADUÇÃO


AO FINAL

Dos olhos dos poetas
saltam vermes que assustam os deuses,
as lágrimas atracam no fel da loucura
e o centro da terra escuta cada palavra.
O que é um poeta senão uma hidra
disposta a envenenar-nos o sonho banal
desse troço chamado vida?
 

Tradução: Jeanine Will




AL FINAL 


De los ojos de los poetas
saltan gusanos que asustan a los dioses,
las lágrimas atracan en la hiel de la locura
y el centro de la tierra escucha cada palabra.
¡Qué es un poeta sino una hidra
dispuesta a envenenarnos el sueño banal
de esto llamado vida?

(Poema de Samuel López Suárez)

domingo, 5 de maio de 2013

Quinquilharias estelares numa estante



um olho tímido
se abre sobre os telhados da tarde
para que eu vigie o horizonte
a lâmina contra a nuvem
arrasto a mesa do dia
derrubo seus apetrechos
eis cada uma das minhas relíquias
no fim do colorido elevador da infância
dei um nó com pétalas
passeio invernos em gaiolas de ferro
derrubo novamente rochas
nossa íris em esplendor
na abóbada empoeirada dos sapatos
cultivo a fome





Em parceria com Paulo Ortiz (http://adiferencadofogo.blogspot.com.br/)

  
(04022013 & 13042013)
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