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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SARAU: leremos Piva

Menu de Poesia
Dia 11/10 – sexta-feira – das 20h15 às 22h
No Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 – Paraiso (Estação Vergueiro do Metrô)
Sala Adoniran Barbosa
Recital dedicado à obra poética de ROBERTO PIVA
Organizado por Maria Alice de Vasconcelos
Poetas Convidados: Breve palestra por  CLAUDIO WILLER, e leitura de poemas por  BETH BRAIT ALVIM; CÉLIA MUSILLI; CHARLES GENTIL; CHIU YI CHIH; EDSON BUENO DE CAMARGO; ELSON FRÓES; ELVIO FERNANDES; ETHEL NAOMI; JEANINE WILL; JONAS PEREIRA SANTOS; MA LUPORINI; PAULO SPOSATI ORTIZ; VALDIR ROCHA
Entrada franca – sem necessidade de retirada de ingressos.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Rotinas


reviso o céu na poça d'água
as bordas de prédio fazem cócega na leveza das pombas
a multidão esbarra no intuito dos jardins
o vestido esvoaça na praça dos pensamentos mas desiste

um sonho enviesado cruza a semana
cruzamento da primeira avenida com tua secreta lágrima
o inesperado invade os silêncios sem paradas de emergência
quem parou no centro da cidade?

giro sobre os calcanhares da espera
um poste me consola
e uma sombra derruba sobre mim suas intermitências.





Em parceria com Paulo Ortiz
(http://adiferencadofogo.blogspot.com.br/)




(09072013)

domingo, 5 de maio de 2013

Quinquilharias estelares numa estante



um olho tímido
se abre sobre os telhados da tarde
para que eu vigie o horizonte
a lâmina contra a nuvem
arrasto a mesa do dia
derrubo seus apetrechos
eis cada uma das minhas relíquias
no fim do colorido elevador da infância
dei um nó com pétalas
passeio invernos em gaiolas de ferro
derrubo novamente rochas
nossa íris em esplendor
na abóbada empoeirada dos sapatos
cultivo a fome





Em parceria com Paulo Ortiz (http://adiferencadofogo.blogspot.com.br/)

  
(04022013 & 13042013)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Soletrar o invisível

um silêncio pende do meu lábio
prestes a desabar
há uma delicada ruína lilás
horizonte adentro
e as minhas mãos
que te soltaram para sempre
se colam à aurora
na violência das redes

no pátio, ruídos de alegria
tropeçando em vidro
fel a forçar a porta
será essa a única saída
pernas dissolvidas
na multidão dos delírios?



Em parceria com Paulo Ortiz (http://adiferencadofogo.blogspot.com.br/)




(09052012)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Moradia Das Mariposas Esfaceladas

O corpo viajou para um lugar com paredes demais para um olho só
Ao alcance das mãos, brancos de correr nuvens e gabinetes
Tua mesa, suspensa entre os ombros e o pó, vacilou
Tuas dores evocam manchas de nanquim sobre papel de arroz
Na paisagem mais assustadora, apenas o rio e alguma fumaça

A nevralgia da tarde atravessa a semana e suas entranhas

Tenho a agulha embebida no fulgor das pupilas
Uma parede torta e interrompida me divide em cinzas
Quando as ruínas me fazem companhia com chá e pedra imensa
A memória se assenta azul nos longes de outono

Não há lugar melhor para abandonar os homens





Em parceria com Paulo Ortiz (http://adiferencadofogo.blogspot.com.br/)




(02062012 & 01082012)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Post Mortem


as chaves não chovem
sobre a cidade
reviro ruínas
erro como posso

o chapéu das cores
não me serve
a vida começa
pelas lâminas

desdobro o fogo
reviro o vento
danço vestida de chuva
arranco sóis da calçada

uma fúria de dentro
das ruas que percorro
abre os olhos
de todas as esquinas

uma semente inesperada
encima o muro
e o absurdo ensina
a tirar lírios dos fatos

é o murro na neblina
botão que agora me agarra
palmas frias
dias louros como aves

céu sem ondas
mar sem nuvens
dúvidas, dúvidas, dúvidas
ao sol refulgem

se eu duvido
duvido que eu saiba.






Em parceria com Paulo Ortiz (http://adiferencadofogo.blogspot.com.br/)

(10052012 & 28052012)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Derrubo as folhas da tarde


ao passar com as frias asas da ternura
desligo o enorme diamante de luz

espigas crescerão de repente de dentro da mão

repuxo as nuvens, preciso a sombra
há dois milímetros do abismo

carrinhos de bebê balançam
enquanto a terra e seus torrões perseveram

gasto meus olhos em vitrines baças
esbarro no trilho

eu vou me deixar para sempre
alagada além das margens

minúsculo pão que se suspende, vitorioso

sem leito, forma ou fome
eu navego


Em parceria com Paulo Ortiz (http://adiferencadofogo.blogspot.com.br/)


(18012013 & 31012013)
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