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segunda-feira, 7 de julho de 2014

França e Alemanha na POESIA


FRANÇA
O poeta... (René Char)


O poeta não diz a verdade, ele a vive; e ao vivê-la, torna-se mentiroso. Paradoxo das Musas: justeza do poema.



Tradução: Antonio Cicero



***



ALEMANHA
Autorretrato (Mario Wirz)

Dos muitos
que eu sou
desconheço
todos eles
só de boato
conheço eu
este aqui
aquele ali
de passagem
eu permaneço
por mim
na busca



 

tradução: Ricardo Domeneck



Selbstbild

Von den vielen
die ich bin
sind alle
mir unbekannt
nur vom Hörensagen
kenne ich
den einen
die andere
flüchtig
bleibe ich
mir
auf der Spur

segunda-feira, 30 de junho de 2014

França e Nigéria na POESIA

FRANÇA
Una carta de mujer (Marceline Desbordes-Valmore)



Te escribo, aunque ya sé que ninguna mujer
debe escribir;
lo hago, para que lejos en mi alma puedas leer
cómo al partir.

No he de trazar un signo que en ti mejor grabado
no exista ya.
De quien se ama, el vocablo cien veces pronunciado
nuevo será.

La dicha sea contigo; yo sólo he de esperar,
y aunque distante,
yo me siento ir a ti para ver y escuchar
tu paso errante.

¡Jamás la golondrina al cruzar el sendero
pueda apartarte!
Será mi fiel cariño que pasará ligero
para rozarte…

Tú te vas, como todo se va… Su éxodo emprenden
la luz, la flor;
el estío te sigue; las tormentas sorprenden
mi triste amor.

De esperanza y zozobra suspira mientras tanto
el que no ve…
Repartámoslo bien: a mí me queda el llanto,
a ti la fe.

Yo no quiero que sufras, que está muy arraigado
mi amor por ti.
Quien desea dolores para el ser adorado
guarda odio a sí.




Tradução: Mauricio Bacarisse




***



NIGÉRIA
Elegía Africana (Ben Okri)



Somos los prodigios que Dios hizo
para probar la fruta amarga del Tiempo.
Somos muy valiosos.
Y un día nuestro sufrimiento
se transformará en las maravillas de la tierra.


Ciertas cosas que ahora me abrasan
se trocan en oro cuando estoy contento.
¿Véis el misterio de nuestro dolor:
lidiar con la pobreza
al tiempo que cantamos y soñamos cosas belas


y que nunca maldigamos la calidez del aire
ni la fruta cuando está sabrosa
ni las luces que con suavidad rebotan en las olas?
Bendecimos las cosas hasta en el dolor.
En silencio las bendecimos.


Por eso nuestra música es tan dulce.
Hace que el aire recuerde.
Se urden prodigios secretos
que sólo el Tiempo desvelará.
También yo he oído cantar a los muertos.


Y me cuentan que
esta vida es buena,
me dicen que la viva con sosiego
con fuego, y siempre con esperanza.
Hay prodigio aquí,


y hay sorpresa
en todo lo que mueve lo invisible.
El océano está lleno de canciones.
El cielo no es enemigo.
El destino es nuestro amigo.




Tradução: Natalia Garbajosa

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Equador e França na POESIA


EQUADOR
Palabras de otoño (Medardo Ángel Silva)

A Miguel Ángel Barona

Guárdate tus sonrisas: mi corazón hastiado
como fruto en sazón, a la tierra se inclina;
la senda ha sido larga, amiga; estoy cansado
y quisiera gozar de mi hora vespertina.

Odio aquellos amores de folletín: mi herida
no mendiga limosnas de piedades ajenas;
yo tengo una tragedia y se llama Mi Vida;
para escribirla usé la sangre de mis venas.

Mi otoño anticipado me vuelve reflexivo;
me encuentras casi triste, sereno, pensativo,
no siento las delicias del flirt, es la verdad.

Mi espíritu se orienta hacia la eterna aurora,
hasta que la clepsidra de Dios anuncie la hora
de ser con mi señor para la eternidad.



***




FRANÇA
CANÇÃO DO OUTONO (Paul Verlaine)

          Tradução: Alphonsus de Guimaraens

Os soluços graves
Dos violinos suaves
     Do outono
Ferem a minh'alma
Num langor de calma
     E sono.

Sufocado, em ânsia,
Ai! quando à distância
     Soa a hora,
Meu peito magoado
Relembra o passado
     E chora.

Daqui, dali, pelo
Vento em atropelo
     Seguido,
Vou de porta em porta,
Como a folha morta
     Batido...


CANÇÃO DO OUTONO

          Tradução: Onestaldo de Pennafort

Os longos sons
dos violões,
     pelo outono,
me enchem de dor
e de um langor
     de abandono.

E choro, quando
ouço, ofegando,
     bater a hora,
lembrando os dias,
e as alegrias
     e ais de outrora.

E vou-me ao vento
que, num tormento,
     me transporta
de cá pra lá,
como faz à
     folha morta.



CANÇÃO DE OUTONO

          Tradução: Guilherme de Almeida

Estes lamentos
Dos violões lentos
     Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
     De sono.

E soluçando,
Pálido, quando
     Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
     De outrora.

E vou à toa
No ar mau que voa.
     Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
     E morta.


CANÇÃO DE OUTONO

          Tradução: Paulo Mendes Campos

Os longos trinos
Dos violinos
     Do outono
Ferem minh'alma
Com uma calma
     Que dá sono.

Ao ressoar
A hora, alvar,
     Sufocado,
Choro os errantes
Dias distantes
     Do passado.

E em remoinho,
O ar daninho
     Me transporta
De cá pra lá,
De lá pra cá,
     Folha morta.

CANÇÃO DE OUTONO

          Tradução: Nelson Ascher

Violinos com
seu choro assom-
     bram o outono
e eu, corpo mor-
to de torpor,
     me abandono.

Quase sem ar,
desmaio ao soar
     da hora enquanto,
lembrando em vão
os dias de então,
     caio em pranto.

E o vento cruel
leva-me ao léu
     pouco importa
aonde, em vaivém,
vago que nem
     folha morta.


Fonte: http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet312.htm

domingo, 22 de junho de 2014

Suíça e França na POESIA


SUÍÇA
Erwachen (Regina Ullmann)


 
Ich lag in dir noch unverzeigt,
du tiefer Felsen in einer Nacht;
so kalt wie Stein und trostesarm.

Da fühlt ich plötzlich, wie der Tag
sich an dem Sein im Licht verfing
und liebewarm und flammenhaft
sich an die kleinsten Dinge hing.

Da war ich wach.
Doch war mir noch ein Silberklang,
der sich an einem Zimbal schlug,
erhörbar, und meines Engels Morgengang.


***



FRANÇA
Quando meu crânio for do vento (Boris Vian)

Quando meu crânio for do vento
Quando o verde cobrir meus ossos
Sentirão talvez que eu troço
Mas será falso o sentimento
Pois me faltarão os atos
O elemento plástico
Pla pla plástico
Devorado pelos ratos
Meu par de utensílios
Minhas pernas meus joelhos
Minhas coxas meus fundilhos
Sobre os quais me sentavia
Meus cabelos minhas fístulas
Meus lindos olhos cerúleos
Minhas capas de mandíbulas
Com as quais vos lambuzia
Meu nariz considerável
Coração, fígado, lombo
Esses nadas admiráveis
Que me fizeram gozar os benefícios
De duques e duquesas
De papas e papesas
De abades e abasnezas
E demais pessoas do ofício
E agora não terei mais
Esse fósforo um pouco mole
Cérebro que me serviu
Pra me prever depois de frio
Os ossos verdes, o crânio ventoso
Ah como dói ficar idoso.



Tradução: Ruy Proença

domingo, 15 de junho de 2014

França e Honduras na POESIA


FRANÇA
Déjeuneur du matin (Jacques Prévert)

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré.


https://www.youtube.com/watch?v=mwTIrDRLjzE (legenda em inglês)



***



HONDURAS
POEMA DO HOMEM E DA ESPERANÇA (Clementina Suárez)
Agora me olho por dentro
e estou tão distante,
brotando no escondido
sem raízes, nem lágrimas, nem grito.
—Intacta em mim mesma—
Em minhas mãos
no mundo de ternura
criado por minha forma.

Eu me vi nascer, crescer, sem ruído,
sem ramos que doam como braços,
sutil, calada, sem palavra para ferir,
no ventre que entorne de peixes.

Como rosa de sonho foi se formando meu mundo.
Anjos de amor sempre me foram fiéis,
na papoula, na alegria e no sangue.

Cada caracol soube dar-me um rumo
e uma hora de chegada.
E sempre pude ser exata.
Ao compromisso da água, da cinza
e a esperança...

Frágil, mas vital, fui sempre minha árvore
Para o homem e o pássaro, sempre fui constante.
Amei como devem amar os gerânios,
as crianças e os cegos.

Mas de qualquer forma
estive sempre fora das proporções,
porque meu impecável e recém inaugurado mundo
tritura faces antigas
modas e ressábios inúteis.

Minha carícia é combate
urgência de vida,
profecia de céu estrito
que os passos sustentam.

Criadora do eterno,
dentro de mim, fora de mim,
para encontrar meu universo.
Aprendi, cheguei, entrei,
com consciência plena adquirida
de que o poeta que vai só
não é mais que um morto, um desterrado,
arcanjo ajoelhado que oculta seu rosto,
mão que deixa cair sua estrela
e que nega a si próprio, aos seus,
sua adquirida e suposta linhagem.

Desta cega e absurda morte ou vida,
é que nasceu meu mundo,
meu poema e meu nome.
Por isso falo do homem sem descanso,
do homem e sua esperança.


Tradução: Antonio Miranda
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