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domingo, 13 de julho de 2014

Brasil e Holanda na POESIA


BRASIL
Consolo na praia (Carlos Drummond de Andrade)


Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.





O poema ilustrado pode ser visto aqui: https://www.facebook.com/caminhaodemudanca/media_set?set=a.279944812064555.66585.100001471158514&type=3


***



HOLANDA
HOMENAJE A GERARD DIELS (Riekus Waskowsky)


Un poeta borracho abraza la luna en
el agua - hasta que llega la muerte,
la muerte de la luna en el agua.

El poeta sigue vivo y después de miles
de años sólo parece haber cambiado el gusto.

Quiero decir: Li Tai Po bebía vino, Dylan
Thomas whisky, Gerard Diels ginebra.



Tradução: Ricardo Cuadros

Brasil e Alemanha na POESIA


BRASIL
Fala (Orides Fontela)

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será.
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.


(Toda palavra é crueldade)


***



ALEMANHA
Jamais Te Amei Tanto (Bertold Brecht)


 
Jamais te amei tanto, ma soeur
Como ao te deixar naquele pôr do sol
O bosque me engoliu, o bosque azul, ma soeur
Sobre o qual sempre ficavam as estrelas pálidas
No Oeste.
Eu ri bem pouco, não ri, ma soeur
Eu que brincava ao encontro do destino negro -
Enquanto os rostos atrás de mim lentamente
Iam desaparecendo no anoitecer do bosque azul.
Tudo foi belo nessa tarde única, ma soeur
Jamais igual, antes ou depois -
É verdade que me ficaram apenas os pássaros
Que à noite sentem fome no negro céu.



(tradutor não localizado)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Brasil e Colômbia na POESIA



BRASIL
Janela (Carlos Drummond de Andrade)

Tarde dominga tarde
pacificada como os atos definitivos.
Algumas folhas da amendoeira expiram em
                                                  [degradado vermelho.
Outras estão apenas nascendo,
verde polido onde a luz estala.
O tronco é o mesmo
e todas as folhas são a mesma antiga
folha
a brotar de seu fim
enquanto roazmente
a vida, sem contraste, me destrói.


***
 


COLÔMBIA
Horizonte (Eutiquio Leal)

Deshollejando al viento, la dicha, la manzana...
de esta abierta calleja lunática de ahora
se nos ha escapado alguien?

Todo lo que tiene aura, color, canciones, osamenta...
Por ejemplo la luz, el agapanto,
los ojos de la noche, voladores audaces,
la caracola atlada de ilusiones geológicas,
el verbo solferinamente erguido
en jugos cálidos o polen de peñasco y golondrina.

¿Quién habita hoy en estos corredores
del pecho o las estrellas, del calor insurgente,
en nuestras horas lilas empozadas al fondo
de los días traspuestos
o poemas tomados de cofrecillo ajeno?

¿Todo el vacío, toda la negrura,
solo el trueno interior que nos devora
sin ningún cese al fuego, ya sin canto posible?
¿Solo el yelo y ya sola la roseta
de dinamita extraña o alquilada, imprevista,
solo el desplome anónimo de la espiga en la frente?

Atrevida allá al frente
una ventana en alto, su soñador abierto a la mañana,
las barandas del Cosmos, el vórtice del tiempo...
este anhelo amatorio que somos a porfía
con el ritmo vidente, raizal, constitutivo
que aguija desde adentro de la tierra
revivida o tremenda, solidaria o utópica...

V, 1988

sábado, 28 de junho de 2014

Brasil e Chile na POESIA


BRASIL
Alcoólicas - I (Hilda Hilst)



É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.



***



CHILE
CANCIÓN (María Silva Ossa)


En la tarde de boca rosada
las rodillas del día se doblan
y reciben sus faldas de yerbas
niños albos con pies de palomas…
Los anfibios molinos destuercen
sus gargantas de alondras
y los pinos de fierro chapado
alzan largas polleras sin hojas.
Ríe el río en la tierra soñada,
los arrieros retornan al monte:
ancha sed en la estrella del pecho:
¡cien mujeres con brazos dormidos
les entregan diamantes de fuego!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Camarões e Brasil na POESIA


CAMARÕES
El humano que se te parece (René Philombé)


Llegué y llamé a tu puerta
Llegué y toqué tu corazón
con el fin de obtener un lecho para descansar
y un escaño al lado del buen fuego bienhechor
¿por qué me rechazas?
Ábreme, hermano mío!


¿Por qué preguntarme
a mi si soy de África
si me crié en América
si provengo de Asia
o si nací en Europa?
Ábreme, hermano mío!


¿Por qué preguntarme
por el largo de mi nariz
el espesor de mi boca
el colorido de mi piel
o el nombre de mis dioses?
Ábreme, hermano mío!


Ni soy color negro
ni soy pintura roja
ni pigmento amarillo
ni coloración blanca
sino sólo un hombre
Ábreme, hermano mío!


Ábreme tu puerta
descorre tu corazón
porque soy un hombre
el hombre todos los nacimientos
el hombre todos los firmamentos
¡Ese hombre que es tu semejanza!



(tradutor não localizado)



***



BRASIL
FALA (Orides Fontela)


Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.


Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.


Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.


Não há piedade nos signos
e nem o amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.


(Toda palavra é crueldade.)

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