PORTUGAL
Garras dos sentidos (Agustina Bessa-Luís)
Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.
São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.
Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.
São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.
Dá má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.
Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.
***
GANA
Homesick (Ama Ata Aidoo)
This afternoon,
I bolted from
the fishmarket:
my eyes smarting with shame
at how too willingly and sheepishly
my memory had slipped up
after the loss of my taste buds.
- Just like an insecure politician creaming up
to his boss.
Familiarly in an unfamiliar land,
so strong and so sweetly strong,
the smells of the fish of
my childhood hit hard and soft,
wickedly musky.
All else fall into focus
except the names of the fish.
While from distant places in my head
The Atlantic booms and roars or
calmly creeps swishing foam on the hot sand.
But I could not remember their Fantse names.
They were labeled clearly enough
- in English -
which
tragically
brought no echoes…
One terrifying truth
unveiled in one short afternoon:
that
exile brings losses like
forgetting to remember
ordinary things.
Mother,
when next we meet,
I shall first bring you
your truthspeaker’s stone:
the names and tastes of fish are also
simple keys to unlock
secret sacred doors.
And I wail to foreign far away winds:
Daughter of My Mother and My Father’s Orphan,
what is to become of me?
And Those like me?
Mostrando postagens com marcador Portugal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Portugal. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 26 de junho de 2014
domingo, 22 de junho de 2014
EUA e Portugal na POESIA
EUA
LEDA (Hilda Doolittle)
Donde el río lento
se encuentra con la marea,
un cisne rojo alza sus alas rojas
y el pico más oscuro,
y debajo del morado, debajo
de su pecho suave
desenrosca su pata de coral.
A través del morado intenso
del calor que agoniza
del sol y de la niebla,
el rayo erecto de la luz solar
acaricia
al lirio de pecho oscuro
y esparce un oro más rico
en su cresta dorada.
Donde el ascenso lento
de la marea
flota hacia el río
y boga lentamente a la deriva
entre las cañas
alzando banderas amarillas,
flota
donde se encuentran río y marea.
Ah beso soberano--
nunca más el arrepentimiento
ni recuerdos antiguos
para arruinar el éxtasis;
donde los juncos bajos se espesan,
el lirio de un día, dorado
se despliega y descansa
bajo el aleteo suave
de las alas del cisne rojo
y el temblor tibio
de su pecho.
tradução: Sandra Toro
***
PORTUGAL
Sobre um Poema (Herberto Helder)
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Alemanha e Portugal na POESIA
ALEMANHA
A Giselheer, o rei (Else Lasker-Schüller)
para Gottfried Benn
Estou tão só
Se encontrasse a sombra
De um doce coração.
- Ou se alguém
Me ofertasse uma estrela -
Sempre a apanharam
Os anjos
Assim, no vai-e-vem.
Tenho medo
Da terra negra.
Como ir embora?
Quero ser enterrada
Nas nuvens,
Ali onde o sol cresce,
Amo-te assim!
Também me amas?
Diz, então...
Tradução: Claudia Cavalcanti
***
PORTUGAL
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio. (Fernando Pessoa/ Ricardo Reis)
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagaos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as maos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.
A Giselheer, o rei (Else Lasker-Schüller)
para Gottfried Benn
Estou tão só
Se encontrasse a sombra
De um doce coração.
- Ou se alguém
Me ofertasse uma estrela -
Sempre a apanharam
Os anjos
Assim, no vai-e-vem.
Tenho medo
Da terra negra.
Como ir embora?
Quero ser enterrada
Nas nuvens,
Ali onde o sol cresce,
Amo-te assim!
Também me amas?
Diz, então...
Tradução: Claudia Cavalcanti
***
PORTUGAL
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio. (Fernando Pessoa/ Ricardo Reis)
Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagaos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as maos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.
Assinar:
Postagens (Atom)