terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Desejo noir



Desejo noir




vai-se o dia retocando a escultura da tarde



entre a cortina de fumaça que ondula

ao sabor das (res)pirações

e dos olhares que se cruzam




nossas bocas são barcos ainda ancorados

às margens de nossas palpitações



12012014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Poslúdio

caminho pelas bordas do silêncio
escuridão adentro  semeio tato
e aqui estou: no lago dos teus olhos

neste salar infinito
neste espelho envergado de últimos gestos
                     poluído de palavras
                     todo sombras inclinantes

sob a lâmina d'água vão-se os últimos crimes
barro lacustre e nossas ossadas
sobre a mesma lâmina vão-se os últimos cisnes

partir é coisa que não tem sim


05012014

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tradução: What's next?



What’s next?

to richey james

over the Severn
she lies
silent and gray
ironic, she’s the link
she knows your way
and much more than many others say
with so many gods,
why Neptune?

dazed and at random
eyeballing
the continuous flow
of wherever you go
I think about this life
vast and severe
halted by the grid
heartbroken

Tradução: Wagner Miranda
(http://brincandodedeus.wordpress.com/)







O que virá?

para richey james

sobre o Severn
ela se deita
silenciosa e cinza
irônica liga
sabe o teu rumo
e muito mais do que dizem muitos
com tantos deuses,
por que Netuno?

atônita e à toa
os olhos fixos
no fluxo contínuo
do teu caminho
penso nessa vida
grande e grave
parada na grade
inconsolável

26042008 & 25022009

Poema de Jeanine Will


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Janelas



Janelas



os olhos sofrem de paisagens desérticas e arestas

as mãos padecem das intermitências da seda

a pele já se esfarela na conformidade do nada



                               (e então, atrás da persiana, o balão de oxigênio dos sonhos)



entre os soluços da fuligem a franca lâmpada da busca se acende

um homem de branco descalça os sapatos de um soneto

e abre a caixa de torturas da fome que não se sacia nunca



a língua muda no transcorrer da boca e derruba a caldeira dos lábios

os braços sustentam feixes de sílabas ainda inabitadas

no armário obscuro das novenas desfilam todas as fantasias



entre flores que se desprendem do riso o teu vestido sideral se derrama sobre o meu corpo

e verte o seu vermelho sobre a minha boca presa na bolha iridescente do dia

enquanto meus dedos surpresos encontram a curva desnuda dos teus ombros



uma fênix prateada emerge do meu bestiário carregando pedras azuis

no fundo do labirinto da noite as labaredas falam a mesma língua

com o atestado das paredes e o olhar acidentado da cruz

eu sou outra vez solúvel em saliva e luz



12082013 & 03122013
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