ITÁLIA
Cristina Campo
Ficou para trás, quente, a vida,
a marca colorida dos meus olhos, o tempo
em que ardiam no fundo de cada vento
mãos vivas cercando-me…
Ficou a caricia que não encontro
senão entre dois sonos, a infinita
minha sabedoria em pedaços. E tu, palavra
que transfiguravas o sangue em lágrimas.
Nem sequer um rosto trago
comigo, já trespassado em outro rosto
como esperança no vinho e consumado
em acesos silencios…
Volto sozinha
entre dois sonos lá’trás, vejo a oliveira
rósea nas talhas cheias de água e lua
do longo inverno. Torno a ti que gelas
na minha leve túnica de fogo.
Tradução de José Tolentino Mendonça
***
URUGUAI
EL OTRO MIEDO (Alba Roballo)
Más allá de mi puerta y mi ventana y mi piel
está el otro miedo de pelos y pezuñas
de olor a humo y pólvora, de sangre que se pudre
de cuchillos zurdos... de estanques silenciosos
peces venenosos sin colores ni ojos
hongos gigantescos que destripan ciudades
granadas que estallan en selvas y pantanos
azafatas rojas desnudas por el aire.
El otro miedo
de tumulto crecido de gargantas
huesos inocentes en osarios comunes
asesinados a la tarde sin un solo rosario.
A todo lo que está allí
fatalmente
en un caos de rosas y semillas
de palabras de odio y de amor
«de eso»
que va a parir el mundo
ahora
o mañana.
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terça-feira, 24 de junho de 2014
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Itália e Costa Rica na POESIA
ITÁLIA
NOTURNO (Cesare Pavese)
A colina é noturna no claro céu.
Ela enquadra tua testa que mal se mexe
e acompanha esse céu. Tu pareces a nuvem
entrevista entre os ramos. Sorri em teus olhos
a estranheza de um céu que não é o teu.
A colina de terras e folhas encerra
com a massa escura a tua viva mirada,
a tua boca tem dobras de um doce entalhe
entre as costas longínquas. Pareces brincar
com a grande colina e a clareza do céu:
reconstróis para mim o cenário antigo
e o convertes mais puro.
Mas vives distante.
O teu cálido sangue se fez na distância.
As palavras que dizes não se correspondem
com a dura tristeza estampada no céu.
És apenas a nuvem docíssima, branca,
enredada uma noite entre ramos antigos.
Tradução: Maurício Santana Dias
***
COSTA RICA
LA VENTANA (Virginia Grütter)
Tenías dos pechos igual que yo
Y el pelo negro igual que yo
Y la boca pintada como yo la queria
Y usabas falda igual que yo
De tela floreada igual que yo
Y llevabas sandalias como yo
Y te arrastraban dos policias
Y dabas gritos en mitad de la calle
Y llevabas de rastras las sandalias
Y te sangraban los pies
Y desde adentro me llamó mi abuela
Y vino
Y cerró la ventana
Y me arrastró del pelo
Hasta lo más oscuro de la sala.
sábado, 14 de junho de 2014
Inglaterra e Itália na POESIA
INGLATERRA
THIS IS THE FIRST THING (Philip Larkin)
This is the
first thing
I have understood:
Time is the echo of an axe
Within a wood.
I have understood:
Time is the echo of an axe
Within a wood.
A PRIMEIRA COISA
A
primeira coisa
Que entendi foi esta:
Tempo é o eco de um machado
Dentro da floresta.
Que entendi foi esta:
Tempo é o eco de um machado
Dentro da floresta.
Tradução: Luiz Roberto Guedes
***
ITÁLIA
ED È SUBITO SERA (Salvatore Quasimodo)
Ognuno sta
solo sul cuor della terra
trafitto da
un raggio di sole:
ed è subito
sera.
E DE REPENTE É NOITE
Cada um está só no coração da terra
traspassado por um raio de sol:
e de repente é noite.
Tradução: Geraldo Holanda Cavalcanti
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